Guia de campo · De Tóquio a Manaus

O que é o MSX?

Um único padrão de computador doméstico, fabricado por dezenas de empresas, para que um cartucho ou uma fita comprados para uma marca rodassem em todas. Foi o rei no Japão, na Coreia e no Brasil nos anos 1980, e é a máquina que o Ok-Prompt emula.

  1. Um padrão, muitos fabricantes
  2. Como funciona um MSX1
  3. Pelo mundo
  4. Brasil: Expert e Hotbit
  5. Expert 1.0, 1.1 e Hotbit, lado a lado
  6. MSX2, MSX2+ e turbo R
  7. Drives de disquete
  8. MSX e CP/M
  9. Jogos e legado
  10. O PC levou tudo
  11. Fontes
Jun 1983ASCII e Microsoft anunciam o MSX
Out 1983Primeira máquina à venda: Mitsubishi ML-8000
Jun 1984MSX-DOS 1.00
Out 1984Lei de Informática no Brasil (Lei 7.232)
1985MSX2 (Yamaha V9938)
Nov 1985Sharp Hotbit HB-8000
Dez 1985Gradiente Expert XP-800
1987O SCC da Konami; Metal Gear (MSX2)
1988MSX2+ (V9958), só no Japão; MSX-DOS 2
1989Expert Plus e DD Plus
1990MSX turbo R (R800); a Gradiente deixa o MSX
Dez 1991Panasonic FS-A1GT, o último MSX
Out 1992Fim da reserva de mercado no Brasil

1Um padrão, muitos fabricantes

O MSX foi concebido pela Microsoft para o mercado japonês e impulsionado por Kazuhiko Nishi, da ASCII Corporation. Foi anunciado em junho de 1983 (as fontes dão tanto o dia 16 quanto o 27), e a primeira máquina, o Mitsubishi ML-8000, chegou às lojas em 21 de outubro de 1983.

A ideia era a mesma que o VHS tinha levado ao vídeo: uma única especificação, seguida por Sony, Panasonic, Yamaha, Philips, Toshiba, Canon, Sanyo e muitas outras. Um cartucho funciona em qualquer MSX; uma fita gravada num carrega no outro. A Microsoft chamou a iniciativa de "uma tentativa de criar padrões unificados" para computadores domésticos.

2Como funciona um MSX1

Todo MSX1 é o mesmo punhado de chips, e é exatamente por isso que o software passava de uma marca para outra. O Ok-Prompt emula cada um deles.

Z80AA CPU, a 3,58 MHz. O mesmo processador das máquinas CP/M.
TMS9918AVídeo da Texas Instruments: 16 KB de memória própria, 256×192 pixels, 15 cores, 32 sprites, mas só 4 por linha. Texto em no máximo 40×24.
AY-3-8910O PSG, o chip de som: três vozes de onda quadrada, ruído, uma envoltória e as portas de joystick.
8255 PPIEscolhe de que slot vem cada bloco de 16 KB da memória, lê o teclado uma linha por vez, controla a luz do CAPS, o clique das teclas e o motor do cassete.
ROM de 32 KB16 KB de BIOS mais 16 KB de MSX BASIC 1.0, da Microsoft. No mínimo 8 KB de RAM.
SlotsQuatro espaços de endereçamento de 64 KB (ROM, RAM, duas entradas de cartucho), vistos 16 KB por vez. A BIOS procura cartuchos pelas letras AB no início deles.
Cassete1200 ou 2400 bps. A 1200, um 0 é um ciclo de 1200 Hz e um 1 são dois ciclos de 2400 Hz.
DepoisMSX2 (1985, V9938, 80 colunas), MSX2+ (1988, V9958, só no Japão), turbo R (1990, R800 a 7,16 MHz, só da Panasonic).

3Pelo mundo

O MSX foi o computador doméstico líder dos anos 1980 no Japão, na Coreia do Sul, na Argentina e no Brasil, e teve boa popularidade na Holanda e na Espanha. A Yamaha vendeu salas de aula inteiras em rede (máquina do professor mais as dos alunos) para escolas na URSS, em Cuba e em países árabes.

Nunca decolou nos EUA, onde só a Spectravideo e a Yamaha tentaram, por pouco tempo, nem no Reino Unido, onde chegou tarde (setembro de 1984) e mais caro que o Spectrum, o Commodore 64 e o Amstrad.

Quantos foram vendidos é motivo de discussão: de uns 4 milhões (Nishi) a 9 milhões (outras estimativas).

  • Sony HitBit HB-75 (abril de 1984, ¥ 69.800) e uma longa linhagem até o MSX2+ HB-F1XV (1989).
  • Yamaha CX5M (1984): um MSX com sintetizador FM embutido (YM2151) e saída MIDI, para a era do DX7.
  • Philips VG-8020 (1984), fabricado pela Kyocera; versões para cada país europeu.
  • Spectravideo SVI-728: a empresa americana cujo SV-328 era quase um MSX antes do MSX.
  • Daewoo IQ-1000 e os consoles Zemmix na Coreia; o SPC-800 da Samsung.
  • Sakhr AX150: feito pela Yamaha para a Al Alamiah, do Kuwait, com árabe, para o Egito e o Golfo.
  • Panasonic, National, Toshiba, Canon, Sanyo, Mitsubishi e outros no Japão.

4Brasil: Expert e Hotbit

Em 29 de outubro de 1984 o Brasil aprovou a Lei 7.232, a Política Nacional de Informática: o mercado de micro e minicomputadores ficou reservado a empresas de capital nacional (a reserva de mercado), sob a fiscalização da SEI. Máquinas estrangeiras não podiam simplesmente ser importadas; os computadores eram feitos aqui, muitas vezes como versões nacionais de projetos de fora. A reserva durou até o começo dos anos 1990 (as fontes falam em 1991 ou 1992).

Foi assim que o MSX chegou, duas vezes na mesma semana. O Sharp Hotbit HB-8000, fabricado pela subsidiária brasileira da Sharp, por meio da divisão Epcom, na Zona Franca de Manaus, saiu em novembro de 1985: o primeiro MSX brasileiro. O Gradiente Expert XP-800, apresentado na feira Informática '85, em São Paulo, veio em seguida, em 1º de dezembro de 1985, por Cr$ 4.640.000 (cerca de US$ 470).

Juntos, eles fizeram o MSX "praticamente matar" os outros computadores de 8 bits no Brasil. Revistas como Micro Sistemas, CPU MSX e MSX Micro publicavam listagens e análises, e kits de empresas como a DDX depois transformaram Experts e Hotbits em máquinas MSX2 e MSX2+. A comunidade nunca foi embora: o Clube MSX ainda imprime uma revista, e os encontros MSXRio aconteceram durante anos.

Gradiente Expert

Visual de aparelho de som, com teclado separado (QWERTY com ç, teclado numérico, e GRAPH e CODE marcadas LGRA e RGRA) num conector próprio. Sem luz de CAPS, sem tecla de reset. Muitas vezes chamado de cópia do National CF-3000, da Panasonic; o msx.org observa que a Gradiente não era licenciada oficial do MSX.

  • XP-800 (1985): BASIC 1.0
  • GPC-1 (1987): BASIC 1.1, adaptador de TV embutido
  • Expert Plus (1989): gabinete preto
  • Expert DD Plus (1989): drive de 3½" e 720 KB, botão de reset

A Gradiente nunca fez um MSX2 e deixou o MSX em 1990.

Sharp Hotbit HB-8000

Gabinete único com teclado QWERTY com ç, 64 KB de RAM, saída de TV PAL-M, porta de impressora Centronics e drives de 5¼" opcionais. Segundo o msx.org, ele "seguia rigorosamente os padrões MSX".

  • 1.0 e 1.1 (1985): branco e cinza; nunca se fez o dump de uma ROM 1.0
  • 1.2 (1987): gabinete preto

A produção terminou em 1988.

O Brasil usava PAL-M: cor PAL numa imagem de 525 linhas e 60 Hz, como o NTSC. Por isso os MSX brasileiros são máquinas de 60 Hz, com a música dos jogos na velocidade japonesa, e não nos 50 Hz mais lentos da Europa.

5Expert 1.0, 1.1 e Hotbit, lado a lado

A tabela mistura o que dizem as fontes com o que medimos rodando as ROMs originais no Ok-Prompt (marcado como medido).

Expert 1.0Expert 1.1 (e DD Plus)Hotbit 1.1
Texto de aberturaMSX BASIC versão 1.0 Br · GradienteMSX BASIC versão 1.1 Br · GradienteHOT-BASIC versão 1.1 · EPCOM [Z.F.MANAUS] 1985
Memória livre28.815 bytes medido
ç e ÇNos códigos 60h e 7Eh, no lugar de ` e ~ medidoEm 87h e 80h, como em todos os outros MSX medido87h e 80h medido
ã, õ e outras letras com tilNos códigos que os outros MSX usam para ä, ö, ü… medidoB0h–B7h, as posições internacionais do MSX (BRASCII) medidoTambém nas posições internacionais (ã em B1h) medido
Tabela do tecladoO layout internacional; ç e Ç só aparecem porque a fonte desenha ` e ~ assim medidoUma tecla de ç de verdade; " em Shift+2; teclas de acento; ã, é e õ também por combinações com CODE medidoTecla de ç; acentos digitados com teclas de acento (mortas), como numa máquina de escrever medido
Formato de data (ID da BIOS)Mês/dia/ano medidoDia/mês/ano medidoMês/dia/ano medido
SCREEN 0Branco sobre preto, não o azul-escuro padrão medidoBranco sobre azul medido
Outras peculiaridadesO texto começa uma coluna para dentro medido; uma tela de créditos escondida (abaixo)BIOS do DD Plus idêntica, byte a byte medidoLiga com o CAPS ativado, que também põe o ç em maiúscula medido

Por que o 1.0 e o 1.1 não se entendiam

O 1.0 pôs as letras do português onde deu: ç e Ç em dois códigos ASCII, as letras com til nos códigos do trema. Um texto escrito num 1.0 saía como ` e ä nas outras máquinas, e programas que imprimiam ` ou ~ mostravam ç num 1.0. A Gradiente fez um recall da maioria dos XP-800, trocando a ROM pela 1.1 e mudando nove teclas, e é por isso que a maioria dos "Expert 1.0" de hoje na verdade tem a 1.1. A versão 1.1 levou as letras para os códigos que viraram o BRASCII, o que acabou com as incompatibilidades de acentuação entre fabricantes.

Comparando as duas ROMs no Ok-Prompt: 580 bytes são diferentes, em 84 trechos, a maioria nas rotinas de teclado e na tabela de teclas (20 das suas 288 entradas).

Outras diferenças registradas pelas fontes

6MSX2, MSX2+ e turbo R

Cada geração manteve rodando o software da anterior: um cartucho, uma fita ou um disquete de MSX1 funciona num MSX2, num MSX2+ e num turbo R. O que mudou foi principalmente a imagem e, depois, a velocidade.

MSX1MSX2MSX2+turbo R
Ano19831985Outubro de 1988Novembro de 1990
VídeoTMS9918: 16 cores, 256×192Yamaha V9938: 16 de 512 cores, até 512×212 (424 entrelaçado), 256 cores na SCREEN 8Yamaha V9958: também 19.268 cores ao mesmo tempo (YJK, SCREEN 12), rolagem horizontalO mesmo V9958
Texto40 colunas80 colunas (WIDTH 80 na SCREEN 0)
Sprites4 por linha, uma cor8 por linha, uma cor para cada linha do sprite
DesenhoPela CPUO próprio chip de vídeo copia, preenche e traça linhas, com operações lógicas
CPUZ80 a 3,58 MHzR800 a 7,16 MHz, muitas vezes várias vezes mais rápido que o Z80, que ele também mantém
Memória8K–64KDe 64K no mínimo (Japão) a 128K (Europa), com memory mapper acima de 64K64K no mínimo, mapper obrigatório256K no mínimo, mapper
BASICMSX BASIC 1.02.0 (ou 2.1), mais uma SUB-ROM de 16K3.04.0 (4.1 no FS-A1GT)
Também de sérieUm relógio a bateria que guarda os ajustes de tela (SET SCREEN)Kanji nas máquinas japonesas; a maioria tinha MSX-MUSIC (FM)Som PCM com microfone; MSX-DOS 2 em ROM; MIDI no GT
Vendido emJapão, Europa, Brasil, Coreia, mundo árabe…Japão e EuropaSó no Japão

As máquinas

Os MSX2 da Europa eram sobretudo holandeses e espanhóis: o Philips NMS 8250 (1986, 128K, drive de 720K, fabricado pela Sanyo), o 8255, com dois drives, e o 8280 (1987), além do HB-F700P da Sony, feito só para a Europa. O Japão tinha o barato Panasonic FS-A1 (1986, ¥ 29.800) e a linha HB-F1 da Sony.

O MSX2+ veio só da Panasonic (FS-A1WX, WSX, FX), da Sony (HB-F1XDJ e o HB-F1XV de 1989, seu último MSX) e da Sanyo (o WAVY PHC-70FD). A ASCII, que tocou o padrão sozinha depois que a Microsoft saiu, em 1986, perdeu o interesse pela Europa, e nem um único MSX2+ foi lançado lá.

O turbo R deveria ser o MSX3, mas o novo chip de vídeo da Yamaha não ficou pronto. No lugar, a ASCII projetou uma CPU, o R800: o dobro do clock do Z80, ULA de 16 bits, a maioria das instruções em um a poucos ciclos. Só a Panasonic o fabricou: o FS-A1ST (1990, ¥ 87.800) e o FS-A1GT (dezembro de 1991, ¥ 99.800), o último MSX já feito.

7Drives de disquete

Fita era lenta e cheia de manha; um drive de disquete transformava o MSX num pequeno computador de escritório, com o MSX-DOS rodando programas CP/M (veja o próximo capítulo). O jeito como isso funcionava é um belo exemplo de projeto.

Do cartucho ao drive embutido

No MSX1 o drive vinha com uma interface em cartucho e um cabo até o drive: o Philips VY-0010 e o Sony HBD-50 (ambos de 1985) para disquetes de 3,5" de face simples (360K), o Sony HBD-F1 para os de dupla face (720K). No MSX2 a interface continuava opcional, mas muitas máquinas tinham um ou dois drives de 3,5" embutidos, e o software vinha em disquetes de 360K e 720K.

A ROM de disco

Toda interface traz uma ROM de disco de 16K com o Disk BASIC e o núcleo do MSX-DOS, iguais para todos os fabricantes, mais um pequeno driver para a sua própria controladora. O núcleo só chama o driver por uma tabela de saltos fixa: 4010h DSKIO lê ou grava setores, 4013h DSKCHG pergunta se o disquete foi trocado, 4016h GETDPB descreve o formato, 401Ch DSKFMT formata. Assim, cada fabricante só escrevia o driver, e qualquer ROM de disco funciona em qualquer MSX.

Na partida, a BIOS encontra a ROM no seu slot e deixa que ela monte sua área de trabalho na RAM, e é por isso que o BASIC mostra menos bytes livres com um drive. Depois ela lê o primeiro setor do disquete e o executa: um disquete com MSXDOS.SYS inicia o MSX-DOS; qualquer outro deixa você no Disk BASIC. O MSX1 não tem relógio, então a data começa em 1º de janeiro de 1984, a não ser que você informe outra.

A controladora

Muitas interfaces usam a controladora de disquete WD2793, da Western Digital (Philips, Sony e as brasileiras Microsol e DDX); a Panasonic usava uma TC8566AF, da Toshiba. Quase todas põem os registradores da controladora na memória, dentro do slot da ROM (a Philips em 7FF8h, a Panasonic em 7FB8h). As brasileiras Microsol CDX-2 e DDX usavam portas de E/S, D0h–D4h, e é por isso que as ROMs de disco delas são próprias.

InterfaceO que era
Philips VY-0010Cartucho de 1985, 3,5" de face simples, WD2793
Sony HBD-50, HBD-F1Cartuchos de 1985, face simples e dupla face, WD2793
Panasonic FS-FD1ADrive de dupla face num único cartucho, TC8566AF
Microsol CDX-2Fortaleza, 1986: um ou dois drives de PC, 5,25" ou 3,5", portas de E/S, um Disk BASIC brasileiro
DDX (Digital Design)Versões 1.0, 1.2 e 3.0, vendidas com um drive de 5,25" e 360K
Liftron 2.7, DMX 1.2Outras interfaces brasileiras, compatíveis com a CDX-2
Gradiente Expert DD Plus1989, drive de 3,5" e 720K embutido; WD2793 na memória

No Ok-Prompt, qualquer ROM de disco comum funciona: a própria máquina responde à tabela de saltos sobre uma imagem .dsk, seja qual for a controladora para a qual a ROM foi escrita. Testado com as ROMs do Philips VG-8235, Sony HB-3600, Microsol CDX-2 e FAST!DiskROM no Expert, no Hotbit e no kit 2+; num Expert 1.1, o BASIC fica com 23.432 bytes com a ROM da Philips e 25.429 com a FAST!DiskROM medido.

8MSX e CP/M

O irmão do Ok-Prompt, o A-Prompt, emula CP/M sobre o mesmo núcleo Z80. Os dois padrões atacaram o mesmo problema por lados opostos, e se encontraram no MSX-DOS.

O CP/M (Gary Kildall, 1974) tornou o software portável entre hardwares diferentes: cada fabricante escrevia uma pequena BIOS, e todo programa falava com o BDOS por meio de CALL 5. Em 1982 ele já estava licenciado para mais de 450 tipos de máquina.

O MSX tornou o hardware igual, de modo que os programas podiam até ir direto aos chips. Mas ele também precisava de um sistema de disco. Em agosto de 1983 a Microsoft contratou Tim Paterson, autor do 86-DOS (que virou o MS-DOS), para escrever um "MS-DOS para Z80". Ele concluiu que o sistema deveria rodar programas CP/M diretamente. O MSX-DOS 1.00 é datado de 20 de junho de 1984.

O resultado é um híbrido: MS-DOS por fora, CP/M por dentro. Os programas carregam em 0100h e chamam 0005h como programas CP/M; as chamadas de FCB são as do CP/M 2.2; WordStar, Turbo Pascal e o M80 e o L80 da Microsoft eram, em princípio, compatíveis. Mas os disquetes são FAT12, legíveis num PC, e a linha de comando é um COMMAND.COM, não um CCP. O MSX-DOS 2 (1988) acrescentou subdiretórios, e o Nextor leva o sistema adiante até hoje.

CP/M 2.2MSX-DOS 1
PadronizaO sistema operacionalA máquina inteira
CPU8080 ou Z80Z80
CamadasBIOS · BDOS · CCPMSX BIOS · MSXDOS.SYS · COMMAND.COM
Chamadas de sistemaCALL 5CALL 5, os números do CP/M e mais alguns
Programas.COM em 0100h.COM em 0100h
ArquivosFCBs, nomes 8.3FCBs, nomes 8.3
DisquetesO formato de cada fabricanteFAT12, como o MS-DOS
TelaQualquer terminal: ADM-3A, VT52…Códigos parecidos com os do VT52; 40 colunas no MSX1

O que não passou para o MSX: programas CP/M configurados para os códigos de outro terminal, e tudo o que precisa de 80 colunas, que só vieram com o MSX2.

9Jogos e legado

A Konami fez do MSX uma máquina de jogos: Knightmare (1986), Gradius (chamado Nemesis na Europa, 1986), Nemesis 2 (1987). A partir de 1987 os cartuchos da Konami traziam o SCC, um chip de som com cinco canais de formas de onda de 32 bytes, concebido com a Toshiba em 1986; quinze jogos o usaram. O Ok-Prompt toca o SCC.

O primeiro jogo de Hideo Kojima, Metal Gear, saiu para o MSX2 em 13 de julho de 1987, e os dois primeiros Metal Gear são jogos de MSX. No Brasil, as softhouses vendiam programas em português: um anúncio da Micro Sistemas de 1987 lista mais de 150 títulos para MSX e TK-90X. O Ok-Prompt carrega fitas .cas e digita BLOAD"CAS:",R para você.

10O PC levou tudo

O MSX era para ser o VHS dos computadores domésticos: um padrão, todas as marcas. Acabou virando arte perdida, e a máquina que venceu foi justamente a que não tinha dono.

Japão: os pais vão embora

No início de 1986 a Microsoft encerrou a parceria com a ASCII, alegando que Nishi lhe devia mais de US$ 500 mil, e abriu sua própria empresa no Japão. A ASCII tocou o MSX sozinha, enquanto o futuro da Microsoft era o MS-DOS e o Windows. No Japão, como a história costuma ser contada, os jogos foram para o Famicom da Nintendo e a computação séria para o PC-98 da NEC. A Sony parou com o HB-F1XV em 1989; a Panasonic fez o último MSX, o FS-A1GT, em 1991, e encerrou a produção alguns anos depois (as fontes falam de 1993 a 1995), dizendo que o público tinha perdido o interesse por computadores domésticos, e não que as vendas tinham caído.

Europa: um fabricante a menos

Na Europa o MSX tinha enfrentado o Commodore 64, o Spectrum e o Amstrad, e depois o Amiga e o Atari ST. A Philips, sua principal defensora por lá, fez seus últimos MSX2 em 1987, e nenhum MSX2+ jamais chegou até lá.

Brasil: o mercado se abre

Os MSX brasileiros existiram por causa da reserva de mercado: a partir de outubro de 1984, a lei reservava os microcomputadores às empresas nacionais. A Epcom, da Sharp, parou o Hotbit em 1988, e a Gradiente deixou o MSX em 1990. Em outubro de 1991 uma nova lei trocou a reserva por incentivos fiscais, a antiga expirou em outubro de 1992, e as peças importadas e os clones de PC chegaram. Cerca de 400 mil MSX tinham sido fabricados no Brasil entre 1985 e 1992.

O que sobreviveu

Experimente

O Ok-Prompt dá boot no C-BIOS livre como MSX1, MSX2 (V9938) ou MSX2+ (V9958), escolhido em System ROM; o C-BIOS inicia cartuchos. Para conhecer o MSX BASIC, um Expert ou um Hotbit, carregue ali um dump da ROM da sua própria máquina: elas têm direitos autorais e não vêm incluídas. Depois digite PRINT "Olá, MSX". Num MSX2, o terminal do cartucho de modem liga para as BBSes em 80 colunas.

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Fontes